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15 janeiro 2015

Mago dos estúdios, morre o produtor e arranjador Lincoln Olivetti

O produtor e arranjador Lincoln Olivetti, pioneiro no uso de sintetizadores no Brasil e que definiu a sonoridade da música brasileira nos anos 80, com uma aproximação com o pop, derivada da assimilação da disco music e da música negra dos Estados Unidos, morreu na terça-feira (13). A causa da morte não foi divulgada. Chamado de “feiticeiro dos estúdios” e “mago do pop”, ele trabalhou com Martinho da Vila, Gal Costa, Gilberto Gil, Tim Maia, Jorge Benjor, Rita Lee, Roberto Carlos, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Ângela Rô Rô, Zizi Possi, Fagner, Wando, Joanna, Emílio Santiago, Zeca Pagodinho, Alcione. Entre os discos que deixou, destaca-se Robson Jorge e Lincoln Olivetti, de 1982. Ele também deixou sua marca em trilhas de novelas da TV Globo como Dancin’ Days (1978), Baila Comigo (1981), Feijão maravilha (1979) e Plumas e Paetês (1980). Um de seus últimos trabalhos foi a direção musical e os arranjos para o The Voice Brasil. Pelo Facebook, o rapper Emicida lamentou a morte do produtor: “Perdemos nessa noite um gênio da música brasileira. Grande mestre Lincon Olivetti. Coração triste. Que a terra lhe seja leve, professor. Obrigado por ter compartilhado essa bênção que foi seu talento conosco nos discos e nesses palcos da vida. Um dia nos encontraremos de novo. #ubuntu”, escreveu. O DJ Marky também prestou sua homenagem: “Triste com a perda de um dos maiores arranjadores e produtores musicais de todos os tempos. Carlos Dafé, Claudia Telles, Painel De Controle, Jorge Ben, Tim Maia, Sandra De Sá, Junior Mendes, Cristina Camargo, Wanda Dias entre outros. O cara por trás do verdadeiro Brazilian Boogie e Brazilian Funk! Vá em paz Mr. Lincoln Olivetti!”, afirmou o DJ e pesquisador. O produtor, que de maneira equivocada foi acusado de ter “pasteurizado” a MPB e passou um tempo no ostracismo nos anos 90, teve sua importância reconhecida por Michael Sullivan.
Já Ed Motta, fã e amigo de Olivetti, escreveu um longo depoimento no Facebook. “Para as minhas convicções sobre música, é o final de uma era, de quando música popular era feita por músico de verdade, de extrema competência”, afirmou. Leia a íntegra: “Eu durmo muito mal sempre, mas essa noite estava especial de dificuldade… Venho olhar a internet, e me deparo com a notícia mais triste dos últimos tempos : Lincoln Olivetti não está mais aqui, foi para outro plano. O cara que formatou a música brasileira no padrão de disciplina gringo, na forma de compor, arranjar, tecnicamente em qualquer sentido etc. Ele merece em homenagem gigante, ser nome de algo que represente acuracidade, competência e futuro. O disco solo dele e do Robson Jorge, é uma referência de que é possível fazer um disco bem gravado MESMO, em qualquer condição, basta dedicação e talento. Tem tanta história bacana sobre o mestre Lincoln, que meu Deus, esse cara sim merecia uma biografia, tem relevância. Eu conheço o Lincoln Olivetti desde criança, na casa da minha tia Maria em Ramos, me lembro dele no final dos anos 70 com Robson Jorge, nos lendários churrascos da família Maia. É gratificante que ele tenha nos últimos anos recebido carinho da geração mais jovem, com homenagens, e o mais importante convites para que ele continuasse exercendo sua sabedoria nos estúdios. Estou muito triste, mas uma força artística como a dele já é parte do todo, é mais do que uma figura de santo, é gigante, é o todo, do copo d’água até o oceano. Muito importante reconhecer, estudar e entender que apesar do Lincoln ser brasileiro, morado a vida inteira aqui, o discurso e referência da música dele não são exatamente “brasileiros” tem volta e meia esse viés muito em conta de alguns convites que eram feitos para trabalhar com artistas mais brasilianistas. Ele ia lá, e de um estúdio no RJ colocava todo mundo num formato realmente internacional, como nunca mais se viu aqui, não por ausência de talento, mas por preguiça, dá trabalho fazer certo no estúdio, execução, timbre etc. A quantidade de vezes que escutei o segundo disco solo dele é absurda, e claro isso desde os anos 80. Tecnicamente a única referência do Brasil que eu sempre tive foi Lincoln Olivetti, o cara que fazia uma “festa no interior” soar igual Earth, Wind & Fire, o cara que fazia os discos ficarem bem gravados, arrancar leite de pedra dos músicos etc. Trabalhamos juntos somente uma vez, talvez pelo respeito que sempre tive, não queria banalizar a presença do mestre. Nessa ocasião em 1996/97 ele me convidou para fazer um disco junto, eu como tenho muita reverência, e sei exatamente como funciona aquilo tudo, preferi respeitar a história, e não me meter a fazer algo que fosse aquém da parceria amalgamada com o também gênio Robson Jorge. Eu espero que o Brasil seja generoso, respeitoso, consciente, e homenageie com dignidade o cara que sabia tirar maior proveito de um estúdio, do talento dos músicos etc. Coisa rara… Depois “a turma” se especializou em adestrar gente sem talento, bandinha de menino rico, e ainda vender disco de ouro ou o que for, tamanha carência intelectual que não é de hoje… Para as minhas convicções sobre música, é o final de uma era, de quando música popular era feita por músico de verdade, de extrema competência. Agora é observar anestesiado, calado, essa geração sonsa, nefasta que momentaneamente comanda o barco… Vai afundar já já, porque não tem capitão, marinheiro, nada… Está tudo relativizado, desafinado, mal tocado, mal feito, mal concebido e ainda por cima sem ambição de nada. Lincoln Olivetti é agora a energia protetora de quem olha a música com honestidade. God bless U master, vc não veio ao planeta a passeio, você realmente fez, e vai ensinar eternamente. RIP.”

Um comentário:

Melony Fisher disse...


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